Vivia numa aldeia, na quinta dos meus pais, era filha única e desde pequena acompanhava o meu pai nos trabalhos da quinta, tinha bastantes animais e eu adorava os cavalos.
Durante a minha infância até à adolescência tive um vizinho que frequentava a quinta, chamava-se Eduardo, ajudava a tratar dos animais, brincávamos, o tempo era muito bem passado desde a manhã até ao pôr-do-sol.
Tínhamos a mesma idade, o mesmo gosto por animais, íamos para a escola juntos, vivemos momentos inesquecíveis, a felicidade acompanhava a nossa vida diariamente.
Após a adolescência o Eduardo emigrou com os pais, foi um choque para mim, nunca chegámos a namorar, nem sequer trocámos um beijo, mas tínhamos muito carinho um pelo outro e senti muito a falta dele, foi uma grande perda para mim.
Entretanto, tornei-me criadora de cavalos, a minha vida era passada na quinta, pouco saía, acordava todos os dias muito cedo e deitava-me cedo também, sentia o tempo a passar rápido. Fui tendo um ou outro namorado, mas nada de especial, nunca senti a verdadeira paixão. A minha ligação com o Eduardo, passou a ser mais distante, falávamos poucas vezes… ele estava há 10 anos fora do país, tínhamos quase 28 anos, pensava muitas vezes nos momentos que passámos juntos, e tinha saudades dele.
Passados uns dias o Eduardo voltou, veio à quinta… chamou por mim, a sua voz grossa e bem colocada sem contar arrepiou-me… estava mais forte, com barba, mais bonito do que a última vez que o tinha visto, atrás de si apareceu uma mulher, foi apresentada, era a Dália, a sua namorada, o ciúme apoderou-se de mim, queria o seu bem, mas pensava que não tivesse nenhuma relação e isso mexeu comigo.
Conversámos, esteve com os meus pais, viu os animais, principalmente os cavalos. Disse que estavam bem tratados e que em breve ia voltar para a aldeia, deixou-me feliz por saber dessa novidade, pela sua presença e proximidade, por outro sabendo que tinha uma namorada, deixava-me menos confortável.
Regressou 3 meses depois, voltou a visitar-me na quinta, vinha sozinho, achei estranho… perguntei pela Dália… respondeu que tinha terminado a relação de 2 anos… encorajei-o, dei-lhe força… disse que tinha de arranjar um trabalho por cá, e eu... sabendo que tinha trabalho a mais e precisava de alguém para me ajudar… dei-lhe a hipótese de trabalhar na quinta comigo… acedeu e agradeceu.
O Eduardo começou a trabalhar no dia seguinte na quinta, os dias passaram a ser mais felizes, voltei a reviver a minha infância, a nossa proximidade era constante, e comecei a gostar ainda mais do Edu. Um certo dia fomos dar um passeio a cavalo. Estava calor, pelos caminhos da aldeia falávamos enquanto íamos em cima dos cavalos, o passeio durou horas, até saltarmos dos cavalos e ficarmos junto a umas árvores, assistimos ao pôr-do-sol no horizonte.














