Em breves linhas se resume os traços da minha vida: fui casado durante trinta anos, um casamento de altos e baixos, a relação ficou esgotada, perdemos interesse, feitios incompatíveis, demos conta bastante tarde e o melhor para ambos foi a separação. Fui morar sozinho. Tenho três netinhos maravilhosos que me visitam frequentemente, trabalhei muitos anos por conta própria, como canalizador, às vezes ainda faço uns biscates, agora tenho 63 anos.
O meu trabalho implicava entrar muitas vezes em casas, umas mais longe, outras mais perto, em casas de vizinhos, em casas de estranhos… conhecia bastante gente, procurei conviver sempre com gente jovem, e fazia da minha idade apenas um número, o meu espírito era aproveitar cada dia como se fosse o último…
Tentava que os meus dias fossem sempre ocupados por coisas que me fizessem distrair e me fizessem sentir bem, não gostava de rotina, entre várias coisas, gostava de pescar, jogar cartas com amigos, ver futebol, assistir a peças de teatro, ler… ou seja todos os dias havia algo diferente para ser feito…
Um dia, uma amiga, perguntou-me se podia resolver um problema de um cano furado a casa de uma senhora que começara a morar há pouco tempo nessa residência.
Disse prontamente que sim, deram o meu contacto à senhora e no mesmo dia ligou-me.
Marquei para ir a sua casa no dia seguinte, durante a tarde.
Chegado a sua casa, toquei à campainha, a senhora apareceu, eu identifiquei-me e ela abriu o portão, deu-me licença para entrar na casa, o ar da senhora era jovem e fresco, explicou-me o problema do cano na cozinha, teve que ser trocado… enquanto fazia o meu trabalho foi contando um pouco de si, chamava-se Judite, tinha 60 anos, viúva há 10 anos, decidiu vir morar para aquela casa para ficar mais perto da filha, pelo meio da conversa também me apresentei… entretanto fui comprar o cano e colocá-lo no sítio… a Judite era muito acessível, espírito jovem, também gostava de sair, estando muito tempo em casa, sentia-se triste e já tinha tido uma depressão…
Após ter o trabalho feito, a Judite perguntou-me o preço, disse-lhe que pagava só o cano, não levei dinheiro da mão-de-obra, agradeceu… a minha resposta foi que se voltasse a precisar para dispor.
Passados uns dias, encontrei a Judite de manhã no mercado, sorrimos um para o outro, perguntei se estava tudo bem e se o cano ficou bem colocado, disse que estava tudo bem e que até ter saído de casa não havia fuga de água - sorriu.
Mantivemos a conversa por algum tempo, até que… surgiu um convite meu, perguntei:
- A Judite vai estar livre logo mais?
- Olhe, eu estou quase sempre livre, faço só uns trabalhos de costura por casa só para me entreter.
- Tenho umas roupas para arranjar, ainda vou precisar das suas mãos.. - sorri.
- Sim, pode levar lá a casa… devo-lhe um favor.
- Ah… não pense nisso, queria fazer-lhe um convite…
- O que vem daí?
- Hoje à noite, temos um festival de marisco, fica aqui perto… gosta? Aceita jantar comigo?
- Gosto de marisco, como gosto de sair, e foi simpático comigo, junta-se o útil ao agradável, aceito o convite.
Senti felicidade por ter aceitado o convite, passei pela sua casa, parei o carro e a Judite já estava a sair de casa, disse que era sempre pontual, não gostava de atrasos.
Prosseguimos a curta viagem até ao festival de marisco. Durante o jantar tivemos uma boa conversa, o marisco estava óptimo, o vinho a acompanhar deixou-nos mais alegres…
Falámos das nossas histórias, sentimo-nos nostálgicos, mas a maior parte da conversa foi recheada de coisas positivas, a Judite tinha um bom sentido de humor.
Estávamos a precisar de um jantar assim, de ter uma companhia, de ouvirmos e sermos ouvidos, ambos não sentíamos isso há muito tempo.
Levei-a a casa, agradeci-lhe a companhia, ela retribuiu.
No dia seguinte acordei a pensar no jantar do dia anterior, queria ver a Judite. No final do almoço, passei pela sua casa, veio à janela, não contava comigo, abriu a porta e mostrei-lhe o saco com a roupa que precisava de ser composta, convidou-me a entrar… fomos até à sala, ainda não tinha tomado café, serviu café para os dois… seguimos com mais uma conversas, os nossos olhares prenderam-se… a Judite fez-me uma carícia no meu rosto passando a mão pela minha barba, o seu carinho despoletou uma reação minha, agarrei a sua mão, puxei-a para mim, beija-a. Os lábios tocaram-se, as nossas línguas conheceram-se, as nossas mãos começaram a despir-nos, os corpos estavam nus e marcados de histórias já vividas, a minha boca foi aos seus grandes lábios vaginais, a minha saliva molhava a sua vagina, a língua rodopiava no clitóris, a Judite soltava uns gemidos. Sentado no sofá a Judite levou a sua mão ao meu pénis, tocava-o lentamente, abocanhou o meu pau babado, fez-me gemer com um bom broche. Quis ser eu a controlar, com a Judite sentada no sofá, de pernas abertas, sentiu a minha penetração… arranhou o meu peito, lambi-lhe os bicos dos seios, o pénis saiu da vagina, cuspi-lhe a coninha e voltei a enterrá-la… estava a delirar… pouco tempo a seguir… soltou um grito de prazer, e agarrou-se ao meu pescoço, percebi que tinha atingido o orgasmo, continuei a fodê-la… e não demorei… vi-me dentro dela.
Nunca é tarde para se sentir excitação, desejo, tesão e prazer, foi uma tarde intensa.
Mantivemos uma relação de felicidade que durou 8 anos, até a Judite falecer. Deixou saudade, mas também a doce lembrança de todos os momentos prazerosos.







