quinta-feira, 25 de junho de 2020

André

A minha família sempre foi muito religiosa, como tal comecei cedo a frequentar a igreja, após ter feito a segunda comunhão e a seguir o crisma, comecei aos domingos de manhã a cantar no coro da missa. A maior parte eram mulheres, mas havia um homem que me chamava a atenção, uma voz grossa e bem colocada, homem alto e forte, era o André. Durante a semana tínhamos ensaios, e a nossa aproximação era notória, entretanto iniciámos um namoro que durou sete anos, o André frequentava a minha casa e era adorado pelos meus pais, e muito acarinhado por toda a gente.
Decidimos casar… o nosso casamento foi simples, apenas com familiares, com poucas extravagâncias, mas foi um dia muito feliz.
A lua-de-mel foi num país com sol e praia, ficou para sempre gravado nos nossos corações.

A impossibilidade de ser mãe, tornou a nossa relação mais intensa, só vivida um para o outro, não queríamos cair na monotonia, nem na rotina, inventámos distrações, criámos momentos divertidos, os nossos trabalhos tinham o mesmo horário, conseguimos conciliar as horas para estarmos juntos e fazer tarefas a dois. Todo o tempo de ligação era bem aproveitado e recheado de amor.

Os anos foram passando, o André tinha 40 anos, cabelo preto encaracolado, olhos grandes escuros, rosto redondo e barba grande, era um homem sempre disponível para ajudar, levava uma vida muito ativa, não conseguia estar muito tempo parado, e além de cantar no coro, estava ligado a associações, e tinha muitos conhecidos e amigos.
Eu tinha 35 anos, gostava de acompanhar o André em determinadas iniciativas, por vezes também gostava de estar por casa, era uma mulher realizada, a nível profissional e pessoal, só com alguma frustração de não poder ser mãe, eu e o André achámos por bem, adotar… fizemos o pedido, foi um pouco demorado, entretanto a família aumentou, recebemos na nossa casa o Rúben, menino de 2 anos.

A história do Rúben deixou-nos muito emocionados, os pais eram de origem africana, vieram para o nosso país, trabalharam durante alguns anos, tiveram cá o Rúben, mas depois ficaram desempregados, o pai faleceu de doença prolongada, e a mãe não podendo cuidar dele entregou-o a uma associação. 

Quando tudo parecia que estava a correr da melhor forma possível, chegou o maior desgosto da minha vida, o André teve um acidente de trabalho e ficou cego. Teve de parar de trabalhar e deixou de ter a vida ativa como tinha antes. Foram momentos muito difíceis para mim e para o Rúben. 
Com o passar do tempo houve uma adaptação à nova realidade, os outros sentidos do André ficaram mais apurados, ajudei-o em tudo o que podia, ouvia as suas conversas, ele também era o meu ouvinte, os nossos toques mantinham a nossa proximidade, não perdemos a felicidade.

Um dia deixei adormecer o Rúben, e com o André deitado na cama disse-lhe ao ouvido que o amava muito, estávamos os dois com os corpos nus, os meus lábios prenderam-se aos seus, as nossas línguas sentiam-se uma à outra, as mãos do André passavam pelas minhas costas, sentia um arrepio pelo corpo, beijei o seu pescoço, e fui descendo pelo seu peito, barriga… o corpo do André estava arrepiado, meti o seu pau na minha boca, chupei-o muito, ele suspirava, sabia-lhe bem… entretanto com ele deitado, as minhas pernas ficaram ao lado da sua cabeça, baixei a vagina até à sua boca, a língua lambia-me a coninha molhada, chupava o clitóris, a minha excitação ultrapassava os limites.
Beijei-o nos lábios, a minha língua entrou na sua boca, o meu corpo desceu, e a minha vagina recebeu o seu pénis dentro dela. Bem enterrado, baixei o tronco, o André apalpou as minhas mamas, lambeu os meus bicos, sentimos novamente o nosso beijo, ergui o meu tronco, com as minhas mãos a segurar o meu cabelo, cavalgava em cima do seu pénis, com tanto tesão e ritmo, que não aguentei mais e rebentei de prazer… o quarto tinha um cheiro intenso a sexo e pouco tempo depois foi o André a gemer e a vir-se dentro de mim, dizendo: 
- Sabes dar-me prazer.
- André, contigo chego ao céu e fico nas nuvens.
- Não te consigo ver, mas amo sentir-te.
- O meu amor por ti, não tem fim.

Fonte: Imagem retirada da internet, pinterest

As realidades mudam em segundos, os momentos, as circunstâncias, os problemas, a perda, mas jamais mudará o pensamento, o carinho e o que sentimos por quem amamos. 
O André arranjou um trabalho adequado às suas novas capacidades, continuou a cantar, melhor do que nunca, no coro, a igreja enchia-se só para o ouvir cantar, voltou a estar ligado ao que gostava, o Rúben foi uma grande ajuda para mim e para o André.  






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